vamos tentar isso de novo
depois de 3 anos sem sequer lembrar que eu tinha um blog, eis-me aqui novamente.
pronta pra criar meu milésimo blog obscuro e desconhecido, feito para ser lido somente por mim mesma (se muito), mas dessa vez com uma nova perspectiva - embora a prática seja a mesma: escrita terapêutica.
muitos anos atrás, quando eu criava blogs compulsivamente (inclusive essa é uma referência ao nome de um deles), era com a finalidade inconsciente de sanar uma necessidade pulsando, amorfa, dentro de mim, colocando ela pra fora e forçosamente lhe conferindo uma forma. daí então eu poderia olhar para ela, analisar, destrinchar e aí sim compreender e assimilar o que me inquietava - ou rejeitar, graças ao meu superpoder:
fato é que, seja por medo da autoanálise, seja por dificuldade de olhar pra trás, eu nunca mais busquei escrever para assimilar ou rejeitar qualquer coisa... eu só decidi viver um dia de cada vez.
como fazem os normies.
funcionou? depende. consegui seguir adiante sem olhar tanto para as limitações que sempre sentia me lentificando (sopa de lentinha, rs). por outro lado, deixei de reconhecer padrões importantes e até mesmo situações que não faziam sentido ou não precisavam ter acontecido.
no começo, como não foi uma escolha intencional, nem percebi que estava parando de olhar pra mim mesma (do jeito que sempre fez mais sentido pra mim). depois, quando me dei conta, decidi continuar fazendo igual porque parecia sofrido demais encarar todas as pendências em mim e na minha vida.
nesse meio tempo, concluí meu segundo longo período de educação formal e - que surpresa - decidi entrar num terceiro período de educação formal! continuando a ser estudante na área em que me sinto menos segura!
(muito millenial isso de ficar inserindo gifs no meio do texto, né?)
a essa altura, talvez valha a reflexão de que talvez eu queira sofrer trabalhando com o que eu trabalho. ou talvez eu esteja me tornando mais forte e melhor nele...? parece improvável a meu ver, mas todo mundo que me escuta falar isso discorda veementemente.
pois bem. tomei a decisão de ser uma pessoa responsável e, depois de QUASE UM ANO SEM TERAPIA, tomei vergonha na cara e busquei dar seguimento ao tratamento prévio. sem desculpas. sem desistir. só pesquisar, agendar e comparecer. teoricamente é bem simples, mas com todo aquele rolê de negação esse tipo de acontecimento poderia ter demorado ainda mais tempo até se tornar uma realidade.
vou deixar aqui por escrito pra poder ler no futuro e, quem sabe, guardar na memória pelo menos um pouco desse novo processo pelo qual tenho passado. temos tratado de assuntos como: TDAH (seria eu um TDAH ambulante?), altas habilidades (alimentando meu ego e abrindo meus olhos pra novas explicações sobre meu pathos), auto-imagem (vai muito bem, obrigada), cristianismo... e meu eterno calcanhar de Aquiles: a Medicina. foi quando eu perguntei sobre formas de mensurar meu progresso, a fim de evitar a igualmente eterna sensação de zero à esquerda no trabalho e na residência, que a psicóloga me sugeriu a tal da escrita terapêutica. e olha eu aqui de novo.
vou buscar postar aqui regularmente como forma de autorreflexão e auto-avaliação, além de ser uma mini cápsula do tempo - uma que eu talvez não decida só apagar e fingir que nunca existiu.

